Vivemos num tempo onde a
discordância tornou-se sinônimo de preconceito.[1] Exemplifico
com o caso tão presente em nossa sociedade do homossexualismo. Quando não
aceitamos a prática homossexual, recebemos a caricatura de preconceituosos.
Será que de fato é isto mesmo? O simples fato de pensarmos diferente nos torna
preconceituosos (no sentido pejorativo)? Ou: Será que a determinação contrária
deve ser aceita sempre?
Nós não somos “tábulas rasas”. Não
partimos da neutralidade para julgarmos as questões. Não acreditamos no
relativismo que aceita tudo como correto. Antes de emitir qualquer julgamento
consultamos nossos pressupostos que foram adquiridos ao longo de
nossa existência. Eles funcionam como critérios para os julgamentos
determinados. Portanto, todos homens partem de algo para afirmar suas crenças.[2] Portanto, analisamos os
comportamentos mais profundamente, ou seja, não somente o ato, mas o que está
por trás dele.
A teologia reformada entende que
estes pressupostos foram gravemente comprometidos pela queda do homem no jardim do Éden (Gênesis.3). Deste então o homem nasce em
pecado e desta forma julga as questões com os óculos embaçados. Entretanto,
isto não quer dizer que tenha perdido totalmente o status de criação de Deus.
Por isso, o “sensus divinitatis” (senso
da divindade) o dirige ainda pela revelação geral de Deus (Rm.2.12-16) A
restauração completa desta ignorância existencial ocorre no momento da
regeneração. Neste momento o homem recebe o conhecimento extra-nos (que está fora de nós) para entender
verdadeiramente e espiritualmente a si mesmo. Isto por uma razão teológica:
para conhecer-se é necessário conhecer a Deus em primeiro lugar.

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